César Lattes

Cesare Mansueto Giulio Lattes nasceu em Curitiba, no dia 11 de Julho de 1924. Filho de imigrantes italianos que vieram para o Brasil em 1921. César, como preferia se apresentarpelo fato de as pessoas não pronunciarem seu nome corretamente, cursou o ensino primário e fundamental na escola Americana de 1929 a 1933, e o ensino médiono instituto Dante Alighieri, em São Paulo, de 1934 a 1938. Por possuir grande habilidade na área de exatas, ingressou em 1939 na graduação de física da Universidade de São Paulo (USP).
O cientista que ganhou fama internacional com a descoberta da subpartícula méson-pi começou a surgir em 1943. Nesse ano, manteve contato com Gleb Wataghin, um dos principais físicos do período. O primeiro artigo científico publicado por Lattes foi feito sob orientação de Wataghin, abordando a grande quantidade de núcleos do universo. Após a formatura atuou como professor de física teórica e, em seguida, passou a atuar como físico experimental, especialmente ao estudo dos raios cósmicos. Desenvolveu pesquisas na USP de 1944 a 1946, quando foi aprovado pra trabalhar na Universidade de Bristol, na Inglaterra, onde o físico italiano Giuseppe Occhialini investigava as partículas subatômicas sob a coordenação de ninguém menos que Cecil Powell.
O procedimento de pesquisa utilizado pelos físicos de Bristol era a exposição ao ar livre de placas fotográficas, contendo um composto químico feito a partir do Boro que registrava a trajetória das subpartículas nucleares. Essas partículas eram bombardeadas pela irradiação solar e as marcas deixadas por sua destruição constituíam a prova de sua existência.
Ao conhecer o método, Lattes sugeriu que as chapas fossem expostas em locais de grande altitude, onde teriam ais chances de serem atingidas pelos raios. As descargas atmosféricas garantiriam resultados mais rápidos e confiáveis, pois a grande energia permitia que os traços que indicavam a presença das subpartículas fossem mais facilmente percebidos. O local adequado para a realização da experiência também foi indicado por Lattes, os Andes bolivianos a 5.500 metros de altitude. Lá o material foi deixado por um mês. Quando foram recolhidas, as placas mostravam rastros que sugeriam a existência das partículas nos núcleos atômicos.
Lattes analisou o resultado obtido e não apenas confirmou a existência dos mésons-pi como também constatou que ele se transformava em duas outras subpartículas: o múon (carga negativa) e outra com carga netra cujos rastros não podiam ser gravados nas placas. Assim que retornou à Inglaterra, Lattes comunicou o resultado a Cecil Powell. Apesar da contestação da comunidade científica, a descoberta contou com o apoio de Niels Bohr e só então passou a ser aceita.
Existe uma grande polêmica envolvendo Lattes, ligada à edição do Nobel de física de 1950. Nesse ano Powell recebeu o prêmio pelas descobertas relacionadas aos mésons e por criar um método ortográfico para estudo de processos nucleares. Muitos indagam a razão do brasileiro não ter sido o ganhador, já que teve fundamental importância na descoberta e pelo prêmio não ter sido dividido com a equipe de Powell.
Há quem defenda que a nacionalidade do professor inglês foi o fator preponderante, afinal a banca era composta por ingleses, Lattes, no entanto, discordava.
Em entrevista dada à Super Interessante (a última dada antes de falecer em 8 de março de 2005) Lattes disse que o prêmio deveria ter sido entregue a Occhialini. “Tanto na descoberta do méson-pi, em 1946, como na sua criação artificial, em 1948, tive colaboração de Giuseppe Occhialini. Ele deveria ter ganho” Mas para Lattes, o maior físico brasileiro, isso nunca importou. “Esses prêmios grandiosos não ajudam a ciência.”
Feb 5th, 2009 at 11:36 pm
[...] César Lattes, na verdade Cesare Mansueto Giulio Lattes. Esse cara não somente deu nome à plataforma Lattes como também foi o principal responsável pelo descobrimento do méson-pi. [...]