Curiosidades sobre o sexo: LIBERTINAGEM X CASTIDADE: CONFLITO SEXUAL.

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joaninhas

A BATALHA DOS SEXOS NÃO É UM MITO!

O êxito na reprodução sexual está no âmago do processo evolutivo. Um maior sucesso para a fêmea muitas vezes significa menos sucesso para o macho. Resultado? Uma eterna guerra, e uma estonteante diversidade de estratégias. O sexo é a principal arma da natureza para perpetuar a espécie e garantir a evolução. A batalha dos sexos é real!!! Machos e fêmeas geralmente estabelecem um conflito feroz enquanto cada um tenta obter sua imortalidade genética.
O relacionamento entre machos e fêmeas pode ser complexo e às vezes difícil, pois as tolerâncias são quase sempre levadas ao limite. Entretanto em nível microcelular esperma e óvulo nunca competem, trabalham sempre em harmonia. Porém fazer com que elas se unam é outra história. É ai que normalmente acontece à polarização: a guerra entre os sexos. Cada um deles procura o seu fim genético particular e uma seleção natural que favorece apenas o vencedor.
O conflito sexual tem fornecido evidências que , machos estão continuamente desenvolvendo novos mecanismos para manipular a fêmea, e estas estão desenvolvendo mecanismos para resistir. Esse conflito estabelecido entre machos e fêmeas derruba a idéia que reprodução sexual é um processo sempre harmonioso e de cooperação entre os acasalamentos, evidenciando que há um “conflito de interesses evolutivo dos indivíduos dos dois sexos”. Quanto mais o desejo dela se choca com o dele mais diabólico é o resultado.

O CONFLITO OCORRE QUANDO HÁ DIFERENÇAS NOS INTERESSES EVOLUTIVOS DOS DOIS SEXOS.

Em termos evolutivos o conflito sexual, na maioria das vezes, é uma explicação conveniente para observações na qual a ação de um sexo parece resultar em custo para o outro, ou parece atuar sobre seus melhores interesses. Bom então vamos analisar como se dá esse conflito: a primeira pergunta que podemos fazer é?

OS MACHOS SÃO PROMÍSCUOS E AS FÊMEAS CASTAS?

O homem que primeiro emprestou respeitabilidade cientifica a essa idéia chamava-se Bateman, ele dizia, em 1948, que os machos evoluíram para fazer sexo e as fêmeas para fazer bebês. Essas afirmações se basearam em experiências feitas com Drosophila melanogaster. Ele observou que machos queriam acasalar tantas vezes quanto fosse possível, vibrando ardentemente as asas para qualquer fêmea que lhe desse bola. Bateman notou que as fêmeas tendiam a rejeitar os avanços de mais de um ou dois pretendentes. Ele notou que os machos tinham mais filhos quanto mais acasalavam. Essa hipótese “os homens são cafajestes e as mulheres santas” fez sucesso.
No entanto, o principio de Bateman tem uma falha: na maioria das espécies as fêmeas são promiscuas, acasalam várias vezes e com vários machos, mais do que necessário para fertilizar seus ovos. Voltando o experimento de Bateman, se ele tivesse continuado por mais tempo, observaria que as fêmeas de Drosophila recuperam o apetite. E as que acasalam apenas uma vez acabam por ter menos filhos. A poliandria é ampla e bem distribuída entre os insetos.

ASSIM, O QUE ACONTECE?

Machos usam a dominância como um meio para controlar a exuberância da promiscuidade das fêmeas. Porque as fêmeas têm a oportunidade de conseguir o esperma de mais de um macho e isso possibilita o exercício de um tipo de controle de qualidade sobre quem faz a fertilidade e quanto. Sendo assim o macho dominante evoluiu. Estes animais de grande virilidade, têm força bruta para lutar contra seus rivais, estão preparados para arriscar suas vidas em prol do sucesso sexual, seus genes predizem que não serão detidos por nada quando tomam o que é seu por direito.
Em um mundo tão promiscuo como este, os animais se dispõem a dançar, cantar e lutar a fim de conseguirem chamar a atenção para a necessidade de dar continuidade à espécie. Na verdade, as fêmeas se beneficiam da promiscuidade fertilizando seus ovos com diferentes espermas e garantindo a qualidade da prole.

ESTRATÉGIAS DO MACHO PARA CONTER A PROMISCUIDADE DAS FÊMEAS.

Observa-se que a primeira conseqüência da promiscuidade feminina é que põe os machos sob maior pressão para superarem uns aos outros em todos os aspectos. Analisando as estratégias do macho vamos observar que em muitas espécies o pênis se destina muito mais que lançar esperma. Fêmeas que acasalam com vários machos, cada pretendente posterior será pai de uma porção maior de seus filhos. O macho irá estimular a parceira para receber mais espermatozóide seu, de algum modo, se livra do espermatozóide dos rivais, espalhando mais dos seus genes que os outros menos astutos.
Por exemplo, algumas espécies de libélula, os machos desenvolvem grandes pênis. O pênis dessa espécie tem um balão – um bulbo inflável e dois chifres na ponta, além de longas cerdas dos lados . O macho usa esse aparelho para retirar os esperma do interior da fêmea antes de depositar o seu. Já em Calopterix haemorrhoidalis, ele usa o pênis como um instrumento de persuasão, estimulando a fêmeas da maneira certa, pode induzi-la a jogar fora o esperma de machos anteriores. Já em mariposa Olceclostera seraphica o órgão genital assemelha-se a um instrumento musical, o macho esfrega uma parte na outra e produz vibrações que excitam a parceira.

CINTO DE CASTIDADE.

Uma outra estratégia para conter a promiscuidade das fêmeas é deixar uma espécie de tampão no trato genital da fêmea. Por exemplo, o zangão, quando atinge o clímax explode, o órgão genital é arrancado do corpo com um estalo. Assim, deixando o órgão genital dentro da fêmea eles a tampam, elas demorarão mais tempo para acasalar com outro macho, o que permitirá que vários ovos sejam fertilizado com o espermatozóide do zangão que morreu. Nem as rainhas estão livres da batalha dos sexos. E os machos criaram uma forma de retirar o cinto de castidade, eles apresentam na ponta do falo uma estrutura peluda que pode desalojar o órgão genital de seu antecessor. E na maioria dos casos a própria rainha retira o tampão.

ENQUANTO OS MACHOS EVOLUEM PARA CONTROLAR, AS FÊMEAS EVOLUEM PARA RESISTIR.

O macho de Callosobruchus possui espinhos no pênis, eles machucam a genitália da fêmea. Examinando as genitálias durante a cópula observou-se que o espinho fortemente esclerotizado penetra a cutícula do trato genital da fêmea, uma vez que a fêmea acasalou esses machucados devem ser reparados (melanização). Foi observado que esses plugs melanizados estão ausentes em fêmeas virgens. Acredita-se que os machos ao ferir a fêmea, asseguram que elas passem mais tempo antes de fazer sexo de novo portanto aumentando o tempo disponível para fertilizar os óvulos com seu esperma, eles vivem uma espécie de corrida armamentista reprodutiva – comportamento explicado pelo conflito sexual.

A BATALHA DOS SEXOS É TRAVADA EM DUAS FRENTES. OS CONFLITOS DE INTERESSES ENTRE MACHOS E FÊMEAS SIGNIFICAM QUE CADA NOVA ARMA DESENVOLVIDA POR UM SEXO FAVORECERÁ TRAÇOS NO OUTRO PARA CONTRAPOR-SE A ESSE DESENVOLVIMENTO.

Os machos estão numa fria, a promiscuidade feminina põe em risco seus genes, não adianta seduzir todas as fêmeas a vista, se nenhuma delas usa seu esperma. O potencial de promiscuidade da fêmea contém a do macho e exerce uma poderosa força sobre sua evolução. Assim, o macho em vez de maximizar o numero de fêmeas seduzidas, deve maximizar o numero de ovos fertilizados.

Lembre-se enquanto a fêmea pode sair ganhando ao acasalar-se com vários machos cada um de seus amantes se sai melhor se ela não se acasalar com ninguém além dele. Sempre que acorre, esse conflito de interesse, desencadeia uma batalha evolucionária que se trava em duas frentes diferentes. Tanto machos e fêmeas tem seus motivos para pular a cerca e como para cada ação há uma reação, técnicas e táticas surgiram naturalmente para evitar que o parceiro pule a cerca.

Agradecimentos especiais:

LUCIANA BARBOZA SILVA

Doutoranda em entomologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Departamento de Entomologia

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