Ciência e Fé.

Uma velha anedota fala da saída de uma aula no Departamento de Física de uma Universidade. Um professor de outra cadeira cumprimenta os alunos na saída e pergunta como foi a aula.
“Excelente! Tudo que aprendemos semana passada estava errado!”
Essa capacidade da ciência de se auto-corrigir o tempo todo é o que mais me atrai. Não há dogmas absolutos. Pombas, mesmo a Teoria da Gravidade de Newton foi aprimorada por Einstein. Cientistas de Verdade não têm pudor de jogar fora anos de trabalho, se há evidências que desmontem suas teorias.
Em ciência não existe o “é assim porque é assim”. No máximo o “é assim porque ninguém descobriu ainda porque é assim”. Me reconforta um ramo do pensamento onde não existe o “esse tipo de pergunta é sacrilégio”.
Então não é Possível ter fé na ciência?
Eu acho que a ciência vai além da fé. Citando uma cena do livro Contato, eu SEI que se me colocar diante de um pêndulo de meia-tonelada, puxar a base até a mim, deixando que ela quase encoste em meu peito, posso soltá-la e o pêndulo oscilará até o ponto mais distante, voltará e irá parar exatamente no ponto onde o soltei (um pouco menos por causa da resistência do ar).
No livro a astrônoma Elly Hataway faz a experiência, e desafia seu antagonista, um padre, a dar um passo adiante, confiando em sua própria fé. Ele, claro, não o faz.
Eu (na verdade Elly) não faria a experiência baseado em “acreditar” que o pêndulo não me atingiria. Não é questão de acreditar. É questão de milhares de experimentos, equações, estudos durante séculos e modelos que determinaram o comportamento de pêndulos, que se fossem errados impediriam o funcionamento de incontáveis mecanismos, desde relógios até aviões de carreira.
E por falar em aviões, uma vez estava viajando com minha ex, durante uma tempestade, das brabas. Chuva torrencial e turbulência, além de raios, muitos raios.
Pela janela a ponta da asa oscilava como se o avião estivesse tentando voar no estilo dos pássaros. Estimei o âmbito da oscilação em 3m, 1,5 pra cima, 1,5 pra baixo.
Entre os passageiros, várias senhoras rezando. Apavoradas, meio que chorando. Murmuravam suas preces e ficavam mais e mais angustiadas.
Calmos na cabine apenas eu e minha ex. Conversávamos animadamente, cientes que estávamos plenamente seguros. Lembrávamos de dois programas que havíamos assistido no Discovery Channel no dia anterior. Um falava sobre Gaiolas de Faraday, e como raios não penetram objetos ocos de metal, e outro mostrou a construção de aviões na Boeing, incluindo os testes de resistência de materiais, onde a asa de um 747 foi puxada a NOVE METROS de seu eixo antes de exceder seus limites estruturais e se estilhaçar. (o vídeo é impressionante, acho que tem no Tubo).
Acidentes acontecem? Claro. Mas naquele momento, aquela tempestade e a oscilação da asa que apavorava outros passageiros não era um perigo real. Ter idéia do cabedal de conhecimento envolvido na confecção daquela aeronave, dos testes, dos experimentos dos Pais do Eletromagnetismo transformou tudo em um evento trivial.Pena que por causa da turbulência a Gol cancelou o lanchinho.
Autoria: Carlos Cardoso, o primeiro bloguista brasileiro.
PS: Depois farei um post comentando meus convites de postagem…
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Jul 4th, 2008 at 1:34 am
Legal o post, mas o nome da astrônoma tanto no livro quanto no filme era Ellie Arroway!
A Anne Hathaway no filme embelezaria mais que a Jodie Foster, é verdade.
O próprio Sagan comentou, parafraseando um outro sujeito do início do séc 20, que o ser humano é uma criatura incoerente, com pilotos de avião — na época, provas cabais das maravilhas da ciência, hoje o pessoal nem liga — usando talismãs da sorte.
Por esses dias, a agência espacial da Malásia se dedicava seriamente à questão de como seu primeiro astronauta iria se curvar corretamente à Meca:
http://100nexos.com/arquivo/304
Que Sagan seja louvado.